Fundada em março de 1978, pelo eminente pensador liberal Raymond Aron (1905/1983), a revista Commentaire completou trinta anos de existência, no segundo trimestre de 2008. Para registrar o evento, promoveu edição comemorativa (volume 31/numéro 121; Printemps, 2008). O liberalismo francês experimentou não poucos percalços, notadamente pela vigência no país de uma cultura extremamente valorativa do Estado. Devido a tal circunstância, sobressai o papel dessa revista. Manteve unido valoroso conjunto de pensadores liberais, sabotados pela mídia francesa e, em conseqüência, pouco conhecidos em países como o Brasil onde os canais de comunicação com a França limitam-se a integrantes daquela tendência. Destacaríamos os nomes de Raymond Boudon, cultor de uma variante da sociologia de grande valor heurístico, ao arrepio da chamada “sociologia francesa”, ainda hoje caudatária do marxismo; Pierre Manet, autor de extensa obra dedicada à historiografia do pensamento político; Nicolas Bavarez, economista de renome e tantos outros. François Furet (1927/1997), que abriu uma janela, para entrada de ar fresco, na empobrecida historiografia francesa e Jean François Revel (1924/2006), crítico dos mais destacados, figuraram frequentemente em suas páginas. Entre outras coisas, Commentaire notabilizou-se por duas de suas seções: “As idéias e os livros” e “livros escolhidos”.
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